COMUNIDADE DO BLOG TEMÁTICO NO ORKUT
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Pessoas inteligentes e corretas. É o que se encontra aqui. Cada um com sua visão para o tema proposto da semana. Diferentes cabeças, mas sempre a mesma beleza. Deixem suas impressões e enriqueçam o blog!
Sábado, Julho 29, 2006
Estava conversando com o meu sobrinho e colega de trabalho, Lucas, que disse que saiu do serviço na quinta-feira à noite e foi abordado por um trauseante que queria que ele lhe desse um dinheiro. Na verdade eles pedem dinheiro de uma forma ameaçadora, quase um assalto, mas usando mais a intimidação, a ameaça de tirar uma arma, mesmo que não mostre a mesma. O Lucas me falou também que certa vez um homem armado quis lhe roubar, mas não levou nada porque ele não achou a sua carteira, que estava no bolso da calça e por sorte ele não estava com o celular. Tem tido situações e conversas com pessoas que coincidem com os temas que estão em voga aqui no Temático e isso acho muito interessante porque dá pra pensar no assunto. Eu nunca tive com sob a mira de uma arma, o máximo que já me aconteceu foi presenciar um assalto dentro do ônibus no bairro onde eu moro, onde o trocador foi agredido com uma coronhada e o dinheiro do coletivo foi levado e um rapaz que me pediu um vale-transporte com uma determinação tão grande que eu não tive como negar, mas no mais, devo ser um ser privilegiado ou meu dia está pra chegar. Ficava muito preocupado quando andava de ônibus, mas agora que compramos, Elba e eu, nosso primeiro carro, fiquei mais alerta ainda, principalmente com os casos de sequestro relâmpago e essas coisas, não tanto por mim, mas mais por ela, quando estiver sozinha ao volante. Hoje pela manhã, nessas coincidências que os temas do Temático me aproximam desses assuntos, escutei uma entrevista de um repórter da rádio Itatiaia, uma rádio local, com um repórter brasileiro que é correspondente do New York Times. Ele escreveu para o jornal americano com todas as letras que o grande problema do Brasil na esfera da violência é a impunidade. Todos nós já estamos carecas de saber disso, mas quando essa má fama do brasileiro percorre o mundo a gente se sente menos feliz. A reportagem enfatizava esse lado brasileiro numa comparação com o rigor da justiça americana, que manda pra cadeia e faz cumprir penas até os endinheirados, que aqui escapam tranquilamente do xadrez. Como última informação, que me assombrou muito, foi o fato da própria embaixada brasileira sugerir ao turista estrangeiro que vai buscar um visto de entrada no país que este não traga jóias para cá. Compre-as aqui se quiser, mas não traga nada de muito valor pra ostentar nas ruas brasileiras. Eu sei que um dia eu vou estar na mira de um trezoitão, espero ter a frieza do Proibido ou a calma do Renato, só não quero por em risco a vida dos meus filhos e da minha mulher.
escrito por S. Leite
, em
3:21 PM
Sexta-feira, Julho 28, 2006
A falta de criatividade literária faz-me escrever isto:
A primeira vez foi quando tinha aproximadamente seis anos, talvez um pouco menos, e estava com minha mãe e seu (ex-)marido, indo ver a Xuxa (sim, eu gostava dela) descer do helicóptero com o Papai Noel ¿ acho que era isso o que ela fazia- lá no maracanã.
Estávamos então no 464 ¿ Maracanã, que se não me falha a memória, antigamente, era laranja, felizes agitados e contentes quando entram uns cinco homens armados e começam a roubar o ônibus inteiro... Era uma gritaria só, os caras tocando o terror e eu lá atrás sem entender o que acontecia... quando de repente apareceu um deles para nos assaltar. Levaram o dinheiro da minha mãe, do seu (ex-)marido, de umas pessoas que estavam lá e foi quando olharam para mim e pediram: O Relógio!
Sim, eles levaram meu relógio de brinquedo...
A segunda vez foi alguns anos mais tarde, época de copa do mundo... 94, se não me engano, ou seja: 11 anos!
Voltava com um amigo meu da locadora de vídeo games, havíamos alugado Alien x Terminator e um jogo de futebol... provavelmente o consagrado International Super Star Soccer (ninguém me vencia nesse jogo). Pois bem, voltávamos para a casa, felizes e contentes quando um cara nos abordou na entrada da Galeria Menescau, aqui em copacabana. Além de mostrar a arma para a gente, fez questão de dizer que se a gente dissesse um ai, nos mataria ali mesmo. Levou as fitas, meu io-iô e meu relógio, que desta vez não era de brinquedo, mas já estava bastante arranhado. O diferente desta vez foi que eu tentei conversar com o cara... eu disse: Mas moço, olha o meu relógio... ele já está todo arranhado, você vai realmente querer isto?? Obviamente eu já esquecera do meu primeiro assalto, quando levaram o meu de brinquedo.
Passados alguns anos, chegou a terceira vez... Eu fazia um curso de guitarra lá no Leblon chamado Antônio Adolfo... é uma escola de música que eu não indico pra ninguém pois o método é bem ruim. Mas, na época eu fazia, e fazia à noite.
Era perto de dez horas da noite quando entrei no maldito 433 ¿ Vila Isabel. Havia se passado uma semana do meu aniversário, onde ganhei um Technos lindo! O ônibus estava vazio. No ponto seguinte entrou um cara que passou a roleta e sentou do meu lado!! PELO AMOR DE DEUS, O ONIBUS ESTAVA VAZIO! Estranhei o fato, pois não sou nenhuma loira gostosa, ou seja, não era pra me dar uma roçada na perna (infelizmente tem uns imbecis que fazem isso)... Logo, percebi que seria um assalto. Quando fiz que ia levantar ele tirou a arma e encostou na minha barriga... Esse cara estava tremendo, então resolvi que era melhor nem argumentar, ele pediu meu dinheiro e eu, como bom estudante, tinha dois reais na carteira. Foi quando ele viu o meu relógio... Eu quase chorei nessa hora... falei: Moço, foi meu presente de aniversário... não tem nem uma semana... ele retrucou: Cala a boca ou te furo todo. E lá se foi o meu relógio...
A quarta vez foi há dois anos... Voltava da faculdade ali na Presidente Vargas e peguei o 474 ¿ Jardim de Alah, coisa que até então não havia feito, sempre voltava pra casa de metrô... mas nesse dia o ônibus parou na minha frente... não resisti e subi.
Logo ao passar a roleta, percebi um sujeito meio estranho dentro do ônibus, mas até aí tudo bem... o que mais existe nesse mundo é gente estranha. Mas, por precaução sentei ao lado de outro estudante e comecei a ler meu livro... Passando o mergulhão que tem ali na praça XV, logo na entrada do Aterro, o ônibus acelerou e o motorista apagou a luz... (suspeito?!?!?!) Na mesma hora, o sujeito estranho levantou e começou a gritar: Aí, é um assalto! Ok... já esperava por isso.. e dessa vez eu agi de uma forma que me assustou. Calmamente tirei meu relógio e joguei dentro da mochila. Peguei o celular e ia fazer o mesmo, mas pensei: se o cara revistar minha mochila, vai levar os dois. Então taquei o celular no chão e pisei em cima. Nisso o cara tava lá, fazendo o ¿trabalho¿ dele e chegou para cima de mim com um 38 prateado e falou: Passa o dinheiro aí prei, perdeu! Peguei minha carteira, mostrei meus divinos dois reais pra ele. Só? ¿ ele perguntou. É, quer o livro também? ¿ retruquei. ¿Passa os dois reais¿.
Ainda bem que ele não me levou o livro, eu tava muito afim de terminar ¿O Banquete¿.
Pediu meus momentos com trezoitão na cabeça... Agora agüenta.
escrito por Felipe Magalhães
, em
2:37 PM
Quinta-feira, Julho 27, 2006
Era isso mesmo que estava acontecendo?
Ela não queria acreditar, parecia tão surreal, coisa de filme.
E era com ela.
Começou a suar frio, sentir arrepio, uma urgência.
Tentou desviar pensamento lembrando do almoço, lembrando
como tinha sido o dia.
Talvez percebesse como tinha chegado a isso.
Mas o que não saía de sua cabeça era o almoço que tinha
sido tão agradável. Os dois refrescantes copos de suco de
maracujá que tinha tomado.
Mas isso não relaxou, só piorou. Percebeu qual pode ter
sido seu erro.
E esse cara com um trezoitão apontado para todos no
escritório.
E ela só conseguia pensar em si mesma.
Em sua urgência. Que só piorava.
Talvez o cara estivesse um pouco mais relaxado?
Achou que era agora ou nunca. As coisas podiam piorar
pro seu lado.. melhor não arriscar.
Arriscou levantar a mão, com uma calma que não sentia.
Fez a melhor cara de coitada.
O cara achou ela bonitinha, melhor ver o que a lorinha quer.
E ela arriscou num fio de voz antes que o pior acontecesse:
- Sr, posso por favor ir ao banheiro? É urgentíssimo!
E pela cara dela, o bandido achou que podia confiar.
Era isso ou alguma bexiga bomba iria explodir naquela hora.
Renata
escrito por Equipe Blog Temático
, em
8:57 AM
Quarta-feira, Julho 26, 2006
Quando era apenas estagiário de obras, tive que fazer um levantamento em um centro comunitário em construção nos pés de uma favela. Um pequeno detalhe que já diz como é a área era a presença de uma escada apoiada no muro. Quando perguntei para o vigia do que se tratava a escada, ele me diz:
- Doutor, é pros traficantes pularem o muro quando tiverem fugindo da polícia. Ninguém pode mexer nessa escada não, senão estamos fritos.
Ok, eu até ri na ocasião, achei engraçado. Mal sabia eu que alguns dias depois eu me arrependeria de achar a situação engraçada.
Estava na parte de trás do edifício, que estava totalmente vazio, olhando para o alto com minha prancheta na mão. Quando volto a olhar para frente, eis que tem um garoto, não mais que 16 anos, sem camisa, chinelo, e... uma arma na mão. Sinceramente não sei se era um "trezoitão", mas com certeza era capaz de me matar.
Ele olhou para mim, imediatamente olhei mais para baixo e fiz um pequeno aceno, como quem diz: "Tudo bem? Estou aqui, mas não quero saber de nada! Cada um na sua!".
Na hora não há muito que se fazer. Depois percebi que se ele tivesse drogado, com raiva, de mal com a vida, ou quisesse testar a mira da arma dele, ele poderia muito bem me dar um tiro, me matar, e voltar para a favela, sem que ninguém soubesse de nada. Senti-me como uma galinha pronta pra degola sem que nada pudesse ser feito.
Felizmente, ele só andou. E foi em direção a escada, tomando seu rumo.
E eu percebi que a vida não é feita só de atitudes.
A sorte também nos guia.
escrito por Renato
, em
2:20 PM
Terça-feira, Julho 25, 2006
Nada de treizoitão, nada de violência, de assaltos.
Nada de treizoitão na cabeça ou em qualquer outra parte do corpo.
Trezoitão pra mim é numeração de calça jeans.
Vamos discorrer sobre a numeração de roupas.
Porque de armas, violência e politicagem já estou até a tampas.
Minhas calças são 36, algumas 38, mas a numeração aqui no Brasil ainda não é padrão.
Assim, com a mesma cintura você leitor pode ter calças que variam do 36 ao 42. Pode ser que suas calças sejam do tamanho P ou M, ainda assim, a numeração engloba do 36 ao 42.
Muito tedioso esse texto?
Neste momento você pode estar se perguntando que porra é essa de numeração?
É simples; chega de violência, chega de sanguessugas, chega de vergonha.
Vivemos no País mais bonito do mundo, temos as melhores praias, nosso povo é alegre, gentil e bonito.
Justamente por isso merecíamos melhores condições de segurança, merecíamos uma polícia bem paga e capacitada, merecíamos não ter que escurecer os vidros do carro como artifício de segurança ( o que, aliás, fizeram acabar com as cantadas no trânsito uma pena, mais que isso, uma lástima), merecíamos não ter um tema como esse no blogtemático!
TPM mod on, pronto falei.
Tati Tatuada.
escrito por Equipe Blog Temático
, em
2:16 PM
Segunda-feira, Julho 24, 2006
Eu tinha 17 anos, adorava namorar no carro, na beira do rio, na cidade onde cresci. Eram muitos carros parados lado a lado. Eu costumava ficar lá até as 3, 4 da manhã... vidro todo embaçado e mesma fita tocando a noite inteira no Roadstar do Chevetão 85 zerado. Meu pai sempre me alertou do perigo que eu corria, pois como sabia que eu era teimoso e não tinha grana pra motel, desconfiava onde eu passava a madrugada. Certo dia, logo que cheguei, os vidros ainda embaçando, encostou uma Belina atrás do meu carro, como se estivesse bloqueando minha saída. Quatro caras muito suspeitos saíram do carro com rapidez portando armas pesadas e vieram na minha direção. Broxei na hora!!! Falei pra a namorada que seríamos assaltados, pedi que ficasse calma e, seguindo orientação do meu pai, falei pra ela não olhar no rosto deles, para que não houvesse a menor possibilidade de identificação, pois poderia ser alguém conhecido e isso certamente seria fatal. Pensem num cara tremendo, com sangue congelado e muito nervoso. Para o nosso alívio, as tais armas não passavam de macaco e ferramentas para elevarem o carro estacionado ao meu lado e trocarem o pneu furado; tampouco tratava-se de bandidos.
No mesmo ano, num comício com 2 trios elétricos em Salvador e milhares de pessoas ao meu redor, um carinha chegou com a mão debaixo da camisa como se fosse uma arma e anunciou o assalto, pedindo a carteira. Rapidamente, concluí que ele não tinha como estar armado ali e a forma embaixo da camisa parecia mais um dedo do que uma arma. Cinicamente, perguntei: "Só a carteira, véi? Num quero o relógio também não?". Ele respondeu: "É... passa o relógio também". Eu: "Faz assim... fica aqui esperando que daqui a pouco eu trago". Afastei-me e me misturei na multidão.
Na terceira vez, foi de verdade. Chegando à praia junto com a namorada e a cunhada, o cara portava um 22 dourado e anunciou o assalto com muita calma, levando a sacola e pedindo minha carteira. Coisa boa é ladrão experiente. Falei pra ele guardar a arma que nós lhe daríamos tudo. Ele a pôs de volta na cintura. Enquanto isso, abri a carteira, deixei o talão de cheques cair e o chutei pra debaixo do carro. Ele conferiu e reclamou: "Só isso, porra??? Num tem dinheiro não, é?". Ainda respondi: "Sou duro, cara. O carro é emprestado e a só vim porque praia é de graça". Quando ele ia partindo, ainda pedi: "Grande, dá pra você deixar os documentos no chão aí na esquina?". Ele deixou.
Não quero passar por isso mais nunca... pior ainda se for com um ladrão inexperiente, nervoso, pois esses são os que mais matam. Já sei a melhor forma de reagir: não reagindo, mantendo a calma e passando confiança pro cara, pois é ele quem detém o poder, ele é quem manda, não pode se sentir ameaçado, ele é a lei naquele momento, pois estamos sujeitos ao seu julgamento e podemos ser condenados à morte naquele instante, com execução sumária e instantânea.
Agora, digo uma coisa... espero que nunca algo grave nesse sentido aconteça comigo ou com alguém próximo, pois eu caçaria o inimigo até o fim da vida e acabaria com ele com todos os requintes de crueldade... daí, há grande chance de eu me tornar um exterminador... eu e o GPN, meu sócio. Deus me livre disso!!!
by Proibido
escrito por Equipe Blog Temático
, em
7:08 PM
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