COMUNIDADE DO BLOG TEMÁTICO NO ORKUT

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Pessoas inteligentes e corretas. É o que se encontra aqui.
Cada um com sua visão para o tema proposto da semana.
Diferentes cabeças, mas sempre a mesma beleza.
Deixem suas impressões e enriqueçam o blog!


Sábado, Julho 15, 2006


Ensinaram-me que não se deve usar muitos lugares-comuns em textos. Fica pobre, fica feio. Mas vou começar esse citando dois ditos populares: " O que não tem remédio, remediado está" e "Só para a morte não tem remédio". Não sei se concordo com eles mas há muitas situações em que nos encontramos atados a uma só perspectiva, e que temos que vivê-la, sem opções. Analisando os fatos que estão ocorrendo em São Paulo e me colocando no lugar dos agentes penitenciários penso que a falta de opção deles é muito grande. Todo mundo precisa trabalhar mas um trabalho tão perverso como esse me levaria a mudar de profissão. Ser caçado pelas ruas por marginais, ter a família ameçada, ver colegas morrendo e por um outro lado se você abandona o trabalho pode sofrer muitas privações. Muitos criminosos dizem que é essa falta de opções que fez com que eles enveredassem pelos caminhos do crime, mas talvez eles escolheram a opção mais fácil. Talvez seja muito duro você ser honesto e viver uma vida na pobreza e seja "preferível" tentar ganhar o sustento driblando as leis. Isso até confunde um pouco as pessoas que preferem ver alguém vendo produtos contrabandeados no meio da rua (não está roubando, nem matando), perdoando pequenos delitos. O que eu tenho medo mesmo é pra onde estamos caminhando, pra onde esse estado de coisas, essa tolerância com o ilícito vai nos levar. Um país injusto, que cobra cada vez mais impostos, que não atende as necessidades básicas do seu cidadão. Que não forma profissionais pra atuar no crescimento do país. Que tira dinheiro da educação pra desviar pro bolso dos corruptos. Onde está a saída num sistema de governo com três poderes criados pra representar a vontade do povo e controlar um ao outro, mas só fazem espoliar o erário público? Os deputados roubam, roubam, roubam. O presidente diz que faz, coloca uma quadrilha nos cargos de confiança e diz que não sabe de nada e o judiciário atende a interesses diversos do que aqueles que deveria atender. Uma revolta de presos num estado de coisas como esse não é muito difícil de entender. Voltando nos ditos populares que citei no começo do texto se a gente não tem remédio mesmo pra controlar esse males que nos afligem, pois nem uma perspectiva de mudança de mentalidade de governantes nós temos, o remédio é ir tocando a vida como ela está pra ver onde esse barco à deriva vai nos levar.








Sexta-feira, Julho 14, 2006


Pensei muito sobre este tema...
Pensei mesmo e não cheguei muito longe...
Por quê?
Bom, imaginei diversas situações em que diríamos estar sem saída, mas na verdade isso é pura invenção, pura convenção criada para melhorar as nossas escolhas. Afinal, se você fez alguma escolha, você não estava sem saída, pelo menos uma havia: aquela que você escolheu. Provavelmente existiam outras saídas e você não conseguiu enxergar, pela pressão do momento, pelo estado de espírito, enfim, pelas alterações do meio...
Mas para entender o porquê disso, precisamos ir mais a fundo, conhecer as raízes das nossas escolhas e entendermos o que é estar sem saída.
Então vamos lá!
Quando nascemos, não temos muita escolha: É nascer ou nascer... (e essa saída, todos aqui conhecem)... Logo após isso, entramos em outra fase da vida em que realmente não temos escapatória: a infância.
Não temos conhecimento do mundo, não podemos tomar nenhuma atitude: vestem-nos, alimentam-nos, cobrem-nos, mimam-nos, batem-nos... O que mais?
Ah sim... Educam-nos. E eis que começamos a ter saídas.
A educação nos traz a visão do mundo, cria na nossa cabecinha toda uma corporeidade que antes não existia e, por isso, não tomávamos nenhuma atitude. Sendo assim, descobrimos que a Atitude nos dá as rédeas da vida... Temos agora o poder de decidir.
E, sinceramente, a partir de então quase sempre temos saída, nem que seja uma bem horrorosa, mas ela existe.
Digo ¿quase sempre¿, pois vivemos em comunidade e já descobrimos as armas, ou seja, temos o poder de tirar vidas. Em qualquer momento podemos ser surpreendidos por uma dessas balas perdidas, ou até mesmo endereçadas. Pelos motivos mais incrédulos: uma briga de marido e mulher, uma separação, uma briga no bar, um assalto, um acidente...
Não tem gente que mata por um par de sapatos?
O que me causa espanto, e agonia até, é exatamente esta falta de humanidade. Matar alguém é falta de humanidade.
Quando fazem isso, não deixam escolhas, não deixam saídas para a outra pessoa. Apenas que reze, e às vezes nem isso.
A morte é um momento em que não temos saídas, seja ela natural ou forçada.
A diferença é que a primeira é humana, a outra não...
Sendo assim, chego a uma conclusão talvez esdrúxula, mas é a que me contempla agora. A humanidade tem três fases: Na primeira somos educados, e ela nasce; na segunda nos educamos, e ela se faz presente; e na terceira, a mais triste, ela vai embora e nos deixa... sem saídas.








Quarta-feira, Julho 12, 2006


Quando esse tema foi proposto, abordou-se a violência que nos ronda hoje em dia. Mas uma coisa não ficou bem clara. Quem está sem saída? Os criminosos ou os ditos cidadãos de bem?

O fato é que eu não queria escrever sobre violência, acho que esse tema dá asas para muitos outros assuntos. Porém, hoje de manhã vi uma entrevista da família do jovem Lucas seqüestrado (vocês também viram Ana Maria Braga hoje?) e confesso que cheguei às lágrimas. Vi naquela família a minha própria. Vi-me no lugar dos pais, vi-me no lugar dos irmãos.

Eu, há alguns anos atrás, no frescor da juventude sem preocupações e sem sustos desse tipo, cheguei a ser solidário a quem cometia crimes. Eu tinha aquele discurso de que eles eram conseqüência da sociedade injusta na qual vivemos. Continuo achando que a desigualdade é deveras grande. No entanto, hoje vejo que algumas coisas são injustificáveis.

Sim, eles não tiveram a mesma oportunidade que eu tive. Também é difícil no ambiente que eles vivem, pedir que se instruam, que se interessem, que se dediquem ao conhecimento.

Mas sabe de uma coisa: eu não tenho culpa disso! E não quero pagar por isso!

É obvio que eles têm saída. Tem muita gente humilde que acaba crescendo na vida. E outros não. Eu também acabo entrando nessa loteria que é a vida. Mas não é justo que o meu esforço para ter uma vida confortável vá por água abaixo por causa de um vagabundo que só sabe ser sanguessuga, só sabe ganhar às custas dos outros.

Quando tive meu carro arrombado para roubarem o som, senti muita raiva. E impotência. Sei que isso é pouco se comparado aos inúmeros atos de violência que muitos já passaram. É desumano. Como disse a mãe da criança raptada, ninguém dos Direitos Humanos bateu à porta dela para saber como ela estava. Já os bandidos contam com a presença desses órgãos em abundância.

Não sei não, mas se eles estão sem saída, agora somos nós que começamos a ficar. E estou disposto a entrar nessa guerra. Não pegando uma arma e matando-os.

Mas sim aceitando e divulgando por aí que homicídio qualificado, seqüestro, tortura, estupro, e outros crimes de igual gravidade devem ter a pena de morte como sentença.

E que essas penas sejam cumpridas.

Vamos dar um ponto final a isso. Vamos deixá-los sem saída.

Chega de paz. Eu quero guerra. Mas do jeito certo...








Terça-feira, Julho 11, 2006


Ela estava só, no meio da madrugada, dirigindo, sem destino.
O rádio tocava algumas canções antigas, daquelas que trazem lembranças recentes.
Distraída, apenas dirigia, apenas pensava.
Não que houvesse uma grande questão ou problema a ser resolvido, não, ela apenas dirigia.
Ela acelerava, trocava as marchas do carro e pensava.
Nas ruas da metrópole ora virava à direita, ora, à esquerda, porque ela apenas dirigia.
Não parava em faróis, ou sinaleiras, como dizem os cariocas, não havia trânsito, poucos carros na rua, que trafegavam com destino.
Ela não, ela apenas dirigia, para sentir a liberdade de não ter para onde ir, para pensar em sua vida, suas histórias, seu cotidiano. Ela apenas dirigia.
Eis que entrou numa rua, sequer lera o nome na placa, estava apenas dirigindo.
Era uma rua cumprida, porém estreita, duas mãos onde passava apenas um carro por vez.
Havia um farol aceso na mesma direção, indo até onde a rua desembocaria, provavelmente numa outra rua.
O caro que estava à sua frente parou, abruptamente. O ocupante do veículo à frente breca, violentamente.
Ela pisa no freio. Por muito pouco não se estatelou no carro da frente.
Ambos descem de seus respectivos veículos.
Eles se olham e num frenesi sem antecedentes ou razões aparentes se agarram, se beijam, se amam.
Ali, no meio da rua.
Da rua sem saída.

Tati Tatuada.








Segunda-feira, Julho 10, 2006


Tenho certeza que todo mundo nessa vida já passou por situações as quais julgava ser sem saída. No entanto, se observar bem, percebe-se que em todas essas situações, tinha-se mais de uma opção. Podia até ser que nenhuma fosse o que desejava, mas, com certeza, eram opções que transformariam sua vida. E, como prega a Tati, todas as opções são para melhor; a gente é que não consegue enxergar dessa forma, no momento que nos encontramos sem saída.

Sem saída, se encontrou mesmo foi nossa humilhada seleção, entregue nas mãos de um jumento tapado, como o Parreira. Tô pra ver corno mais burro!!! Ao ver aquela justa derrota, entristeci muito. Não pelo resultado, e sim porque vi, naquele jogo, o filme da minha vida profissional neste instante. Tenho um Parreira como chefe, que só quer fazer as coisas do jeito dele, mesmo os mais experientes, como eu, mostrando seus erros e as conseqüências negativas das suas decisões. Não adianta!!! Ele desenhou um quadrado mágico na sua imaginação, onde ele próprio é todos os vértices e não consegue traçar uma diagonal sequer. Só dá merda! Então eu penso: tô sem saída. Será mesmo??? Tenho tanta opção de emprego, mas insisto em fazer daquele projeto meu objetivo profissional do momento.

Sim, tenho várias saídas, mas permanecer é o meu maior desafio.

by Proibido