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Celebridades do mundo blogueiro dando as suas versões para o tema escolhido da semana. 7 cabeças, 7 visões, mas sempre a mesma beleza. A beleza da escrita!


Sábado, Dezembro 11, 2004


Fui filha única por quase cinco anos. Primeira filha, neta e sobrinha, do lado materno. O segundo bebê do lado da minha mãe então foi meu irmão. Ele nasceu em fevereiro e eu completaria cinco anos em maio. Acostumada a ter tudo para mim. Além do mais, primeira filha de um casal que aguardou seis anos para serem pais. Inclusive após uma cirurgia de útero. Devo ter sido muito ansiada e aguardada.

Isso tudo acaba lhe transformando sem querer numa criança "reizinho". Seu reinado inclui seus pais, seus tios, seus avós. Adultos ao seu redor ao seu inteiro dispor. Acho que isso gera um certo exclusivismo. A própria vida acaba nos tornando dessa maneira.

Não lembro de ter tido raiva de meu irmão. A coisa errada que fizerem foi terem me colocado no Jardim da Infância naquele início de ano letivo. Senti muito. Deste fato me recordo nitidamente. Talvez até por falta de experiência dos meus pais. Lembro que eu ia para a escolinha no período da tarde.

Logo de início as coisas ficaram muito difíceis. Eu almoçava e começava a passar mal. Sabia que logo estaria indo pra escola. Chorava muito e vomitava o almoço. Todo dia, até que o pediatra mandou que me tirassem do Jardim.

Uma outra cena de ciúmes bastante comentada, foi quando meu irmão teve escarlatina. Minha irmã já era nascida. Temos quase nove anos de diferença. Eu e ela. Aí o médico apareceu pra ver meu irmão. Mas como a estrela da casa era eu, pra chamar a atenção, diz minha mãe, que eu apareci nua em pelo, na sala! Imaginem a ridícula cena...








Quinta-feira, Dezembro 09, 2004


No começo do meu casamento eu era o ciúme em pessoa, não deixava ele jogar futebol, não deixava ele ir ao estádio e pasmem, pensei seriamente não engravidar pq teria que dividir a atenção dele com a criança, monstruoso, né?!!! Eu sei disso! Mas hoje não sou mais assim, dou graças a Deus quando ele sai para jogar (que ele não me leia), quando vai ao estádio (se bem que agora vai ser difícil né, estamos na segundona!) ou então quando sai com os amigos.
Todo esse ciúmes que tive durou mais ou menos um ano, após brigas e brigas eu consegui enxergar as burrices que cometia. Só que hoje pago um preço alto por isso, deve ser por estar mais desligada, não me preocupando tanto, o jogo se inverteu e quem sofre com ciúmes agora sou eu!(deu até rima!) Sinto as vezes que meu celular é uma arma contra minha própria pessoa, é a maneira dele me controlar, saber onde estou, com quem estou, o que estou fazendo.

Confesso que ainda tenho ciúmes, não dele, mas das minhas coisas e principalmente dos meus amigos. É um ciúmes light, nada possessivo, e que tento controlar, mas não vou negar que tenha ele.
Eu tenho um amigo que diz que na nossa relação (amizade) não cabe a palavra "ciúmes", ele considera "territorialismo", eu não concordo, se alguém invade seu território e você não gosta, é como se estivessem pegando algo seu, e isso não deixa de ser um sentimento de posse, e o sentimento de posse nada mais é que o próprio ciúmes!
Sei que ele não vai concordar comigo, até mesmo vocês que estão lendo esse texto, mas minha opinião é essa.
Sei também que muitos irão me julgar, condenar ou até mesmo apoiar, mas sou humana e corro o risco de ter defeitos e esse infelizmente é um deles.








Quarta-feira, Dezembro 08, 2004


No pacato zoológico da cidade dos Prazeres , começam a acontecer intrigas seriíssimas, preocupados com tal situação, os administradores locais decidem apurar os fatos o mais rapidamente possível para que os acontecimentos não denegrissem a imagem do zoológico e da cidade.

Descobriram que uma onda de ciúmes havia se instaurado entre Seu peru e Dona Perereca, nossa cara anfíbia estava tinindo da vida porque seu amado não parava de chegar em casa com as pernas marcadas, a coitada sofria em pensar que perderia seu amado, ainda mais pra mais nova integrante do zoológico, a Senhorita Piranha, que estava a morar justamente no lago ao lado. Não suportava em pensar que seria trocada por um peixe de dentes tão horríveis.

Injuriada com isso Dona Perereca resolve dar em cima do jovem minhoca, o Michocuçu, começa assim a coaxar Minhocuçu , ai começa a baixaria a Perereca pula em cima da minhoca a minhoca escorrega na perereca, até que numa dessas escorregadas, ufa, Minhocuçu, cai dentro de seu esconderijo na terra.

Depois de muitas investigações e baixarias, descobriram que a causa das marcas feitas nas pernas de Seu Peru não eram conseqüências de tórridas noites de paixão e sim de uma desestruturação na cadeia alimentar do lago da Senhorita Piranha, onde para suprir sua fome ela mordia a perna da pobre Ave.

Solucionado o problema e esclarecido a questão a paz volta a se instalar no zoológico, Dona Perereca teve que reconhecer que o ciúmes que teve não a levou a nada e que mais vale um Peru na mão do que uma Minhoca escorregando.

Lane








Terça-feira, Dezembro 07, 2004


Quando comecei a namorar minha noiva, longos 6 anos atrás, eu logo avisei a ela que apesar de estar gostando muito dela, eu tinha um outro amor. Um amor da qual não abria mão por estar dentro do meu coração desde muito tempo. Um amor que tinha me dado muitas alegrias, principalmente no dia do meu aniversário, 17 de dezembro de 1995. Ela percebeu o quanto esse amor era importante para mim, e aceitou me dividir.

Com o passar do tempo e com o amor dela crescendo por mim, ela começou a se incomodar em me dividir. Ela percebeu que o que eu havia lhe falado era sério, e que realmente ela não conseguiria exclusividade dentro de meu coração. Daí, começaram a vir as manifestações brandas de ciúmes, a persuasão para me fazer mudar de idéia, o que obviamente não surtiu efeito. E os anos foram se passando...

Nos últimos 2 anos, aproximadamente, minha paixão proibida voltou a ser forte. E recebi uma reação de ciúmes e desprezo. Mas não há jeito, deixei sim minha noiva em casa muitos sábados e domingos, sem contar alguns dias de semana, e fui atrás de meu outro amor... É difícil, mas ela tem que entender...

Recentemente, resolvi juntar meus amores. Minha noiva não queria, reclamou, negou várias vezes, mas finalmente ela resolveu se render pelo bem de nossa união. E ela foi comigo.

Lá chegando, ela entendeu um pouco tudo que sinto, e acho que no final das contas ela gostou, pois já planeja ir comigo mais uma vez.

Como fiquei feliz ao vê-la indo ao estádio comigo e torcendo pelo Botafogo!!!








Segunda-feira, Dezembro 06, 2004


Eu quero levar, uma vida moderninha;
Deixar minha menininha sair sozinha;
Mas eu me mordo de ciúme.
(Ultraje a Rigor)

Só quem foi vítima de ciúme sabe o valor da liberdade.
Alguns psicológos classificam o ciúme como doença.
Infelizmente já fizeram esse lindo ouvido de penico, acusaram-me de não gostar, de não amar, de não ligar, de ter gelo correndo nas veias e, quando explico que ciúme é diferente de posse, sou taxada de racional.
Já dei risada, já gargalhei de manifestações tidas como ciumentas ou de posse, como preferirem.
Afinal, o que os homens esperam de nós mulheres?
Que façamos campana em frente de suas casas/trabalho para pega-los em flagrante delito?
Que choremos dia sim dia também pela sua atenção?
Se esperarem isso de mim, que puxem uma cadeira e sentem, porquê de pé cansa. Sinto muito, mas temperamento vem de fábrica. Não tenho esse sentimento de posse, de é meu e ninguém tasca, não com relação a homens.
Também não me atrevo a cuspir para cima, sei que a gravidade não perdoa, e neste rostinho onde mamãe deu beijinho.......


Texto de Tati Tatuada








Domingo, Dezembro 05, 2004


Só quis ter duas coisas na vida inteira. Aos 10 anos, queria uma mochila Karga. Pedi pra minha mãe comprar, mas ela não quis me dar. Pedi então pra uma tia. Mas vocês sabem como são os adultos quando somos crianças. Querem comprar coisas que durem para o resto da vida. Então, ela me comprou uma mochila Company e disse: essa aí vai durar até a oitava série. Que se dane, eu não queria uma mochila indestrutível, queria uma mochila Karga.

A contragosto, ia para o colégio de manhã com a mochila eterna. Durante a tarde, combinei com meu avô que ia ficar no armazém dele embalando as compras. Em troca, ele me daria um troco e em um mês eu conseguiria a tal mochila. Ele concordou desde que eu mostrasse os deveres de casa prontos. Juntei a grana e comprei. Mas aí ela já não era mais importante.

Quando já tinha passado alguns anos após a oitava série e as duas mochilas (a Company contrariando a expectativa dos adultos e a Karga como eu já esperava) tinham ido para o lixo antes mesmo da sexta, passei a andar com a cabeça entre nuvens e mordiscando meio-fio. Havia no horizonte um homem. Quis tê-lo.

Foi aí que eu aprendi um dos significados da palavra ciúme: angústia provocada por sentimento exacerbado de posse (Mini-Dicionário Aurélio). Acontece que eu ainda não sabia que, no sentido de possuir, você não tem um namorado, pais e filhos. Eles não são sua propriedade.

Sabe aquele cuidado que temos para não pagar mico, babar na roupa, pisar em cocô, quebrar copos em público e decepcionar pessoas queridas? Pois é... nada disso é levado em consideração quando se é ciumenta. Acho até que o ciúme provoca um estrago moral irreversível.

Pelo menos comigo foi assim. Certa vez, liguei 72 vezes para o celular dele usando a tecla redial do telefone, noutra, fui parar no hospital com fortes dores de estômago e, quando vi que isso atraía a atenção dele, por vezes maximizei a minha dor.

Digamos que eu era uma ciumenta civilizada, que praticava alguns golpes baixos. Jamais externei meu ciúme. Ele ficava em mim e em quem eu amava. Era manifestado em meu corpo e eu evitava mostrar essa minha doença em público.

É difícil acreditar e afirmar que eu não seja mais ciumenta. Mas acho que aprendi a administrar meus ciúmes e não pus a perder outros relacionamentos por conta dele, mas sim por outros motivos. No entanto, algumas vezes fico esbravejando quando alguém pega algo (material) que é meu e até me dá uma certa angústia ao perceber que algum amigo está distante de mim.

Mas já decidi que não quero mais ter. Quero ser culta, inteligente, sensível, feliz, enfim, um bom ser humano. E isso não está sendo muito difícil: estou lendo, aprendendo, estudando, reverenciando a vida e os seres humanos. Se Deus existe mesmo, quero ser alguma coisa para mostrar quando for apresentada a ele.