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Celebridades do mundo blogueiro dando as suas versões para o tema escolhido da semana. 7 cabeças, 7 visões, mas sempre a mesma beleza. A beleza da escrita!


Sábado, Novembro 13, 2004


Sou santista de nascimento. Nascida, criada, vivida e aposentada! Sempre achei que não tínhamos sotaque. Ainda menina, descobri que temos sim. Difícil é descobrir o nosso próprio. Parece que a gente não se ouve. É verdade! Precisa alguém nos ouvir e nos dizer como é. Mesmo porque vai ser difícil explicar com palavras (ai, o General vai me matar!), pois dizem que santista fala cantando...

Temos algumas manias, ou seriam vícios de linguagem? A gente fala muito o pronome tu... Pra tudo, ao invés de você... Só que, com um detalhe (horrível por sinal): com a concordância errada, lógico!

Tu vai a praia?
Tu foi pra balada? (versão paulista)
Tu vai pra night? (versão carioca)
Que horas tu chegou?
Tu acha que vai ter aula hoje?
Que dia tu vai viajar?
Tu vai ler meu blog hoje?
Tu vai comentar?
Tu vai me dar cartão vermelho hoje, General?
Esses são exemplos típicos do uso incorreto do pronome aqui pelos lados do litoral paulista. Ou baixada santista, como querem alguns.

Dizem as más línguas que quando éramos jovens a gente queria imitar carioca. Então a gente devia aumentar os esses no final das palavras plurais. Talvez arrastar uns erres também fizesse parte do nosso arsenal de fala adolescente. Nem sei se isso é verdade, talvez fosse inconsciente. Afinal de contas moramos no estado de São Paulo, mas no litoral. Então talvez tenhamos as duas influências.








Sexta-feira, Novembro 12, 2004


Falar de sotaque é dar vazão a uma discussão muito mais política do que se imagina. Mas sem essa de achar que o sotaque tal é mais bonito, mais isso, mais aquilo... Sotaque bonito é aquele autêntico, onde o falante não força pra falar, não finge ser de um lugar sócio-economicamente privilegiado.

Infelizmente, eu tenho visto cada vez mais gente querendo ter o sotaque que não tem. Estudo no mesmo centro onde tem o curso de Psicologia, e (lógico que eu falo nesse caso) parece uma epidemia!!!! Todo mundo fala palavras com dji e tchi e se borra no resto, usando xis e esses numa mesma palavra tentando imitar o paulistês ou o carioquês, que são completamente diferentes. Não sei se seria correto dizer que o paulistês anula o carioquês e vice-versa, em termos de similaridade, uma vez que um carrega na pronuncia de umas letras, e o outro carrega mais na outra. Não sei realmente se isso existe. Mas quando eu falo em discussão política, aí sim, esses dois, meio que "anulam" (quase) todos os outros. Digo quase porque tem o pernambuquês, que é o meu, e que eu faço a mais absoluta questão de pronunciar. As pessoas em João Pessoa dizem que eu falo chiado, mas eu ouço isso como um elogio. Porque sotaque, além de política, é uma questão de identidade.

Em termos práticos, eu diria que sotaque não é só uma modalidade construída da língua. Não dá pra o sujeito querer falar de um jeito, e conseguir. Prova é que essas mesmas pessoas de Psicologia, quando começam a falar rápido, voltam pro velho e bom sotaque de origem. Talvez achem feio, não sei. Talvez não queiram falar como paraibano fala porque passa justamente pela questão da identidade. E um estado que não privilegia sua cultura, não favorece pra que as pessoas se orgulhem do seu modo de falar. Por isso que mudar o sotaque pode significar muito mais do que "falar bonitinho". É uma negação da própria história. E ter morado mais de vinte anos em Olinda me valeu o sotaque que me deixa mais perto da minha terra, dos meus amigos, das ruas de lá... E me dá uma saudade...:) E eu não nego. Nem o sotaque, nem a saudade. Já por aqui...









Quinta-feira, Novembro 11, 2004


Sou gaúcha!!! Tá, mas e daí???

Ahhhh e daí....que ser gaúcha é ser única...

É não deixar faltar em casa erva, cuia, bomba e chaleira de água quente pro chimarrão;
É achar que o Festival de Gramado é, pelo menos prá nós (e aqui a gente até inclui cariocas e paulistas),muito mais importante que o Oscar;
É distribuir CTG(Centro de Tradições Gaúchas) e Churrascaria por todo o planeta, inclusive pelo Japão e Nova York;
E o mais importante, é ter esse sotaque que alguns dizem ser cantado e outros insistem em dizer que é grosso, mas não é mesmo!

Mas tchê vamos começar pelo seguinte ponto, gaúcho não se refere a uma pessoa como "VOCÊ", se refere como "TU", eu sei, é daí que soa ser grosso.
Outra coisa muito importante, aqui não existe menino e menina, aqui é tudo guri e guria!
Uma mania que o gaúcho tem é de diminuir a palavra, aqui não desejamos um bom final de semana, desejamos um bom find! Não comemos churrasco, comemos um churras! Não tomamos uma cerveja, tomamos uma ceva!!
Pra nós é tudo "trilegal", "trimaneiro", "tribom", "trigostoso"...agora não me perguntem de onde surgiu isso!
Uma expressão muito usada pelo gaúcho é o "bah" e geralmente vem seguida de um "tchê", ela é usada como espanto, como alegria, como alerta.....apenas com uma entonação na voz, viu só??? Isso que eu chamo de ter várias utilidades!!!!

A Dani no post de Domingo disse que não come pão francês e sim come pão de sal, bem....nós não comemos nenhum dos dois, comemos cacetinho, é isso mesmo, cacetinho!!!

Ahhhh...outra coisa , nós somos os únicos que lava os e as mão e não os péS e as mãoS....complicado, né?! Eu sei, mas a gente se entende (e não tem nada de nós nos entendemos) é a gente mesmo!

O gaúcho tem tantas formas e maneiras de falar, que se eu não terminar por aqui, vou até amanhã.

Então....

Espero um dia que o patrão do céu nos acolhe num chamego de rolar no pelego, e que deixemos nossas querências pra fim de prosear sorvendo um amargo e lascando uma chepa gorda, tchê!!








Quarta-feira, Novembro 10, 2004


Vocês estão pedindo para um carioca falar sobre sotaque? Fala sério! Querem que eu fale sobre o mais bonito sotaque do Brasil? Então vambora!

Primeiramente, uma informação muito importante: esse texto está sendo escrito em um sábado à tarde, depois de uma manhã daquelas "show de bola" de tão gostosas. Sol muito quente, peguei uma praia esperta e tô de volta em casa agora. Por que falar isso? Ora, o linguajar do carioca está ligado a esse clima quente. A esse clima de alegria! Tranqüilo?

Bom, pensei um pouco em como deveria ser esse texto. Falar como o sotaque carioca manda bem ou esculachar o sotaque paulista? Aí eu cheguei a uma conclusão: demorô, vamos fazer as duas coisas! Certo sangue bom?

Vou contar uma parada. Vocês dizem que somos cheio de marra, que nos achamos os maiorais. Mas não é isso. Nós só temos certeza de que somos os de melhor sotaque. Por exemplo, a gente vive na única terra que não se fala em "sair pra balada" (ECA!!). Convenhamos, balada é uma palavra horrível. A gente sai pra night! Olha que coisa mais maneira! E xavecar? (ECA de novo!!) A gente azara a mulherada. E mina? Na boa, muito sinistro chamar uma gatinha de mina. Sem zoação paulistada! Se liga, pessoal! Qualé? Aprendam com quem sabe!! E na boa mano (Mais um ECA!!!) Ou melhor, na boa rapá, não é um chopps e dois pastel, é um chopp e dois pastéis! Tá ligado?

Sim, estou falando de gíria, nem cheguei no sotaque ainda. Mas o sotaque, bom, esse é o nosso charme. Esse nosso "s" assobiado e o nosso "r" bem "rrrrrr" mesmo são um problema sério. É só a gente desfilar esse sotaque em outros estados que a mulherada cai em cima. Não é caô não, todo amigo meu que viaja fala isso! E tem um detalhe maneiro nosso, é a nossa insistente e gostosa mania de falar a palavra "porra" toda hora. Como diz um amigo goiano meu, "porra" é vírgula pra carioca. Mas porra, qual o problema nisso? Na moral, vocês estão esquecendo que essa porra não é bagunça não!

E como diz uma amiga minha: sim, nós temos o sotaque maravilhoso sim!

E paulistada, nem adianta reclamar! Vocês sabem que tô certo...

Agora to ralando peito que vou tomar uma cervejinha na orla! Fui!!








Terça-feira, Novembro 09, 2004


Bom, eu mesma não vou puxar sardinha para o meu lado. Sou paulistana, nascida e criada na terra da garoa, mas se pudesse escolher um lugar para nascer, nenhuma dúvida há quanto a isso.
A Tati queria ser baiana.
Por quê?
1 - O sotaque baiano dá tesão;
2 - Lá a palavra porra não é palavrão;
3 - Lá tem acarajé;
4 - Lá é dança;
5 - Lá você pode sair com a saia mais curta do universo e não ouvirá os impropérios que aqui se ouvem;
6 - Lá tem praia;
7 - Lá tem musicalidade;
8 - Lá não tem Marta Suplicy, nem Maluf;
9 - Lá não tem garoa;
10 - Lá o carnaval dura uma semana inteira;
Querem mais motivos?
1,2,3,4,5,6,7,8,9,10 - Os baianos são tão sensuais.
Não concorda?
Melhor, sobra mais para a Tati.








Segunda-feira, Novembro 08, 2004


Hoje nos teremos um excelente receita de como ter sotaque mineiro.

Pegue o primeiro trem que você ver na frente, substitua por tudo aquilo que você esqueceu o nome, acrescente um poquinho de inha ou inho, diminuindo todas as expressões o máximo que puder , agora dilua esses trenzinho tudo em um monte de i trocado pelo e; mexa bem.
Adoci com uma forma bem lentinha di si falar, prologaaando assim bem tuuuudooo o quiii você for dizerrrr, mas tem quiii ser nas síiilabas fooortis, mas não aumenti o tom de voz ao dizê-las, isso pode disandar toooda sua receita.
Pegue bastantiis cooisas e negóoocios e coloque sem dó, isso trará um toqui allltamenti característico a sua receita; nessi pooonto você devi estar achando qui não leva jeitinho pra essa coisa e que vaiii parar com esse negócio, não si preocupiii é assim mesmo e com o passar do tempo esse trem só piora. Mas como você é perseveranti não vaii disistir tão fácil ,né!!
Bem vamos ao toqui mais especial de todos, amasse bem as palavras, isso amassii com força, até qui uma se junte ca outra mesmo quii num faça sintido, prestenção, essa é a dica diouro da nossa receitinha, depois deamassar pode comer, coma quantas letras quiser, oce não vai siarrepender, esse trem economiza saliva.

E ai cume qui oce tá indo? Uai, num tá bão não, ei oncoce tá ino, num priscisa se isconder dibadacama não, cum o tempo oce aprendi.



Lane








Domingo, Novembro 07, 2004


Uma mistura de baiano, com carioca e mineiro. É assim o sotaque do capixaba. O povo aqui do Espírito Santo não tem uma pronúncia típica da região. Mas calma lá. Não tem nada de mermão, nem de o loco meu... meu rei, muito menos vixe! Dizem que a gente pegou emprestado a sonoridade do sotaque dos estados que fazem fronteira aqui com a terrinha. Ou seja, falamos manso que nem baiano, mas sem perder a malandragem do carioca e o jeitinho meigo dos mineirinhos.

No entanto, existem algumas expressões que a maioria do povo "de fora" diz que só ouviu por aqui... como por exemplo:

O verbo pocar deve ter sido inventado pelo capixaba. Hein?? O que significa? Estourar, cortar, bater, encher... Exemplo: Vou te pocar (encher) de porrada...

Também costumamos dizer que sentimos gastura ao invés de agonia. Temos até uma interjeição típica capixaba! Por exemplo, ao encontrar uma pessoa que não encontramos há algum tempo, dizemos: , olha fulana! Quanto tempo não nos víamos!

O vocabulário próprio também se encaixa na área da culinária. Além da famosa moqueca capixaba, o povo daqui come pão de sal ao invés de pão francês.

Enfim, o capixaba não é famoso pela sua forma de falar. Mas é o único povo que só é notícia na mídia nacional em escândalos políticos, em casos drásticos e, ao mesmo tempo, engraçados. Quem não se lembra de ter visto na mídia nacional o caso da mulher que foi ao motel com o marido, cortou o pinto dele e jogou fora? E um rapaz de Colatina (norte do Espírito Santo) que foi "transar" com o cachorro e foi parar no hospital com o bicho agarrado na bunda?

Bom, mas como tudo tem seu preço, em troca, o capixaba ensina aos baianos como se deve fazer uma moqueca de peixe, faz chocolate pro resto do Brasil e do Mundo comer na Páscoa e empresta suas praias para mineiros, paulistas e cariocas!